UNIDADE 3 - PARTE B
ESTUDO DE CASO
O Estudo de Caso foi feito com o aluno Dudu, de 14 anos de idade que está cursando o 3° Ano do Ensino Fundamental e é portador de Síndrome de Down.
Segundo relato da mãe, a gravidez transcorreu normalmente. Ele é o segundo de quatro filhos, sendo que somente ele é portador da Síndrome. A mãe relata que ficou sabendo do fato logo após o nascimento do menino. Segundo ela, a notícia deixou-a perplexa e angustiada e sua reação, no primeiro momento, foi de não aceitação da realidade.
Em seu relato, a mãe coloca que o menino sempre apresentou problemas respiratórios (gripes, febres, bronquite...) em sua infância, fato que a fez buscar muitos tratamentos médicos. Os tratamentos médicos continuam até hoje, sendo que são feitos pelo SUS.
Dudu foi uma criança criada livremente com os irmãos. Brincava normalmente na vizinhança.
Sua alimentação é normal, come de tudo que lhe é servido, por vezes um pouco demais, porém não é obeso.
O menino mora com a família, composta pela mãe, o pai, dois irmãos e uma irmã. O sustento da casa é mantido pela mãe que é manicure e o pai que é funcionário de um supermercado. A maior parte do tempo o menino passa com os irmãos ou brincando na rua, jogando futebol, fato que às vezes faz com que vá para a escola com vestimentas inadequadas para a estação, principalmente no inverno.
Como a família mudava-se com freqüência, Dudu passou por várias escolas. Muitas vezes trocando de escola durante o ano letivo. Segundo a mãe, o menino também faltava muito às aulas devido aos problemas de saúde, o que ainda se repete até hoje. Dentre as escolas que freqüentou, Dudu estudou na Escola Estadual Aracy de Paula Hoffmann, que atende alunos com necessidades especiais.
Recebi este aluno no ano de 2004, sendo que permaneceu comigo até 2008. O aluno chegava da Escola Aracy. Segundo a mãe, a escola não era adequada para ele. Fato que me fez visitar a referida escola e achar o trabalho lá realizado excelente, superior ao que nossa escola poderia oferecer-lhe. Os recursos materiais e humanos lá existentes eram tudo o que um aluno com necessidades especiais necessita. O que fez com que eu ficasse preocupada, pois além de minha escola não ter o mínimo de recursos, eu não estava preparada para trabalhar com este tipo de aluno. Sem nenhuma formação ou informação, fui buscar sozinha conhecimentos para poder atendê-lo. Até então, Dudu não tinha nenhum atendimento especial. Aí começou minha luta por uma vaga no NAPPI. Somente no final do ano de 2007, ele foi encaminhado. Durante o ano de 2008 frequentou a Sala de Recursos, porém não foi assíduo. Foi através deste atendimento, que se descobriu que Dudu necessitava de óculos e foi encaminhado ao oftalmologista, como também para tratamento dentário.
Nestes quatro anos que ficamos juntos, desenvolvemos uma grande afetividade, inclusive com a dificuldade de o aluno aceitar outra professora. Durante este tempo trabalhei individualmente com ele, dedicando todo o dia um período exclusivo para o mesmo, com atividades que ficavam registradas em um caderno. As atividades eram planejadas em casa, assim como os jogos que desenvolvi para ajudar na sua aprendizagem.
As atividades propostas duravam em torno de uma hora, pois o aluno demonstrava cansaço e se desligava do trabalho. Seu maior interesse era brincar.
Dudu foi promovido para o 3° Ano conhecendo as letras do alfabeto, escrevendo se nome, formando sílabas e palavras simples, reconhecendo e quantificando os numerais até 15, conhecendo cores. Meu maior ressentimento é que durante todo este processo, não obtive a ajuda da família, para que o desenvolvimento do aluno pudesse ter sido melhor.
O aluno continua na escola. Ainda tem atendimento na Sala de Recursos, porém sua freqüência é mínima.
22/06/09 -O relacionamento de Dudu com os professores, funcionários, colegas de sala de aula sempre foi ótimo, porém, os colegas ficavam sempre perguntando o que Dudu tinha (?) e porque eu professora dedicava algum tempo só para ele (?). Tive que dar muita explicação e, aos poucos, os alunos foram interagindo com Dudu, demonstrando carinho, compreensão e o ajudando em suas atividades.
O grande problema era na hora do recreio, onde muito tive que interferir, pois Dudu ao brincar, gostava de bater nos colegas e agarrá-los pelo pescoço. Sempre ia conversar com as crianças pedindo a elas que conversassem com o Dudu, falava que ele entenderia que aquele tipo de brincadeira só machucava. Assim como também muito conversei com Dudu sobre estas atitudes.
Hoje percebo que Dudu brinca de forma mais amigável. Tenho este ano outro aluno com Síndrome de Down e que também apresenta as mesmas atitudes que Dudu. Realizo com o mesmo
conversas e carinho para amenizar tais atitudes.
Com a chegada de Dudu à escola no ano de 2004, a direção diminuiu o número de alunos da minha sala de aula. De trinta e dois alunos passou para vinte e quatro alunos, porém só ocorreu isto, mais nenhuma
ajuda. Já no ano de 2005 o número de alunos aumentou, mesmo com a continuidade de Dudu em minha turma. Não houve por parte da escola nenhum apoio ou ajuda.
No ano de 2006 e 2007 a situação foi horrível, trabalhei numa sala, que além de ser pequena e desproporcional, não comportava o número de alunos.
No final de 2007, Dudu teve pela primeira vez ajuda, ele começou a participar da sala de recurso que fica em outra escola do município. Foi através deste atendimento que se descobriu que Dudu necessitava
de óculos sendo encaminhado ao oftalmologista, como também para tratamento dentário.
Nossa escola trabalha com a inclusão desde 2004, porém ainda estamos longe de ser, de fato uma escola inclusiva. Ainda não possuímos acessibilidade, equipamentos, formação, serviço de apoio - só o NAPPI que não comporta a demanda.
Nossa escola não dispõe sala de recursos, enfim a caminhada é longa. O que existe de fato é o compromisso e o comprometimento ético de alguns professores que, mesmo sem as condições mínimas para um trabalho com crianças com necessidades especiais, recebe e trabalha com os mesmos da melhor maneira possível, além disso, esses professores lutam cotidianamente para que a verdadeira inclusão
ocorra, com a qualidade e seriedade que esta necessita.
Comments (3)
Gi said
at 1:09 pm on May 19, 2009
Olá Beth... Teus registros referentes ao ESTUDO DE CASO, estão bem detalhados, evidenciando clareza na exposição de idéias, demonstrando o teu envolvimento com a temática abordada na interdisciplina. Conseguiste também traçar um perfil do aluno escolhido para ser teu sujeito neste estudo de caso, atingindo assim, o objetivo proposto nesta unidade. Continues assim, investindo na construção deste dossiê, pois acredito que a diversidade de informações aqui relatadas, contribuirá para as próximas reflexões, a serem elaboradas nas unidades seguintes. Fico aguardando ainda, tuas complementações a respeito da PARTE A desta unidade, até 22/05. Qualquer dúvida entre em contato. Abs, Gi
Gi said
at 10:48 am on Jun 23, 2009
Olá, Beth! Reli teu estudo de caso e percebi que apresenta dados significativos sobre o sujeito escolhido por você, dando a possibilidade de visualizarmos o caso dentro do contexto da rede e da escola em que está inserido. No entanto senti falta de alguns detalhes sobre tal sujeito, referentes à:
1.Relacionamentos: com professores/as, funcionários, colegas, outros;
2. Movimentos para a inclusão da escola (acessibilidade, adaptações curriculares, serviços de apoio), além da sala de recursos, existe algum outro movimento para incluir este aluno?
Se tiveres estes dados, favor complementar seu texto. Procure postar estas complementações até 28/06, juntamente com as próximas informações solicitadas na unidade 6 (conforme e-mail enviado em 18/06). Qualquer dúvida, entre em contato. Abs ,Gi
Gi said
at 10:54 am on Jun 23, 2009
Olá Beth... Tuas complementações acerca do estudo de caso apresenta dados significativos sobre o aluno em questão, contemplando os objetivos propostos para esta unidade. Muito bem! Qualquer dúvida entre em contato. Abs, Gi
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